O feitor disfarçado de chefe
No século XVI o Brasil era colônia de Portugal, sendo que a base da economia estava ligada ao cultivo da cana-de-açúcar e fabricação do açúcar.
Evidentemente que para produzir açúcar em grande quantidade, que depois seria remetido para a Europa, era necessário um grande contingente de trabalhadores, que eram os escravos negros, vindos do Continente Africano.
Para que os escravos pudessem manter sua “produtividade” sempre elevada, existia a figura do feitor, que era uma espécie de chefe. O feitor mais eficaz era aquele que mais açoitava os escravos com seu chicote, a fim de que eles não parassem de trabalhar. O feitor administrava os escravos sob sua responsabilidade através do medo.
Alguns séculos se passaram e hoje podemos dizer que açoitar um colaborador para que este cumpra suas obrigações é inaceitável, além de ser crime.
Passaram os séculos e as técnicas empregadas para aterrorizar os colaboradores também mudaram. Hoje os gestores, especialmente da área de Recursos Humanos, devem direcionar esforços para combater o Assédio Moral, que é um dos males que afetam as organizações em tempos modernos.
Entende-se por Assédio Moral a exposição dos colaboradores a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções.
Fazendo uma analogia, podemos dizer que gestor que hoje assedia moralmente seus funcionários se assemelha muito ao feitor dos engenhos de cana do século XVI.
Os gestores devem coibir esta prática em suas empresas, pois a Justiça do Trabalho tem recebido enorme quantidade de demandas judiciais de trabalhadores que alegam terem sido submetidos a situações degradantes por parte de seus superiores hierárquicos.
As indenizações estabelecidas pelos magistrados para este tipo de questão acabam sendo polpudas, o que pode causar um enorme comprometimento ao caixa da empresa. Entretanto, pior do que gastar dinheiro indenizando um colaborador por ato praticado contra ele é ter a imagem da empresa arranhada perante a opinião pública. E isso, com o advento da tecnologia e a melhoria nos processos de comunicação, pode ocorrer muito mais rápido do que se imagina.
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